Carta à Revista de História da Biblioteca Nacional

Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 2013.

À Revista de História da Biblioteca Nacional.

Tendo em vista a matéria parcial e descontextualizada de autoria de Alice Melo, publicada
na edição nº88 de janeiro de 2013, a família Rocha Miranda, acusada levianamente por essa
revista de pertencer a um núcleo nazista no estado de São Paulo, e de escravizar crianças
oriundas de um orfanato do Rio de Janeiro, vem a público para exercer o direito de resposta a
fim de esclarecer os fatos que desinformadamente foram expostos na reportagem. Repelimos
veementemente tais afirmações, pois quem conviveu com Sergio, Osvaldo, Renato e Otavio,
filhos de Luiz da Rocha Miranda, sabe e atesta a correção de princípios de nossa família, não
tendo jamais a intenção e muito menos a necessidade de tais práticas.

A jornalista baseou sua matéria numa tese de doutorado premeditadamente acusatória
e sem o direito básico do contraditório, formulada por Sidney Aguillar Filho, pesquisador
da Unicamp tendo como orientadora a Dra. Ediógenes Aragão Santos, tendo tal tese sido
surpreendentemente aprovada por uma banca examinadora que não viu nada demais em um
trabalho de onde foi suprimido completamente o direito à defesa dos acusados.

Quem tem acesso à citada tese constata a forma pueril e inconsistente dos argumentos usados
pelo pesquisador, que acusa em seu Capítulo III, “A Cultura da Segregação”, a sociedade
de então de “práticas autoritárias” contra crianças, como “dar bebida alcoólica para
crianças (Biotônico Fontoura), e borrifar veneno sobre seus corpos”, referindo-se ao uso do
inseticida FLIT, largamente utilizado naquele tempo. É de se notar, que à época da tomada
dos depoimentos feita pelo pesquisador na cidade de Campina do Monte Alegre, onde eu
residia, um vilarejo de cinco mil habitantes, não ocorreu ao mesmo que a família quisesse se
manifestar sobre o assunto e em momento algum me procurou, resolvendo ignorar nossa
existência. Se o tivesse feito, o autor da tese veria demolidos à exaustão seus argumentos
falaciosos a respeito de nossa família, e isso não seria interessante para quem, como ele,
vislumbrava tão somente as luzes dos holofotes. Surpreendentemente, essa tese de doutorado
se candidatou ao prêmio Capes de Teses.

Alice Melo, a autora da matéria de sua revista, pegou carona no sensacionalismo do assunto
e, demonstrando desapreço pelo rigor jornalístico, apesar de tê-la elaborado durante meses,
somente me procurou para que emitisse a opinião da família poucos dias antes do fechamento
da edição de janeiro, não levando em conta a necessidade de tempo que precisaríamos para
formular a contraposição com possíveis provas e testemunhos. Não é verdadeira a afirmação
de que não quisemos dar declarações à revista. Pelo contrário, insisti com ela que tinha
enorme interesse em contestar as inverdades assacadas contra minha família e apenas solicitei
mais tempo para amealhar testemunhos e provas da má fé até então somente da tese de
doutorado, pois não tinha conhecimento do teor da reportagem, além de consultar a família
e advogados sobre como proceder. Agiu, similarmente ao Sr. Aguillar Filho, que teve dez anos
para elaborar sua tese e em todo esse tempo evitou colher nosso depoimento. A verdade é
que assuntos desse tipo, nos dias de hoje, onde se busca o “politicamente correto” a qualquer
custo, tem repercussão imediata e concentra as atenções, o que certamente procuraram o
pesquisador e a jornalista.

As propriedades da família em São Paulo, foram adquiridas por meu bisavô, Luiz da Rocha
Miranda, no início do século passado, com a finalidade de servir de campos de caça.

Posteriormente foram desenvolvidos por três de seus filhos, Osvaldo, Otavio e Sergio, projetos
agropecuários que muito se destacaram, tendo meu tio avô Osvaldo, sido um dos pioneiros na
implantação de técnicas de ensilamento de grãos no Brasil, devido ao seu grande interesse por
métodos modernos de criação de gado trazidos da Europa e dos Estados Unidos.

Esse mesmo Osvaldo, com uma visão social aguda, criou em suas terras uma escola
profissionalizante, levando do Rio de Janeiro, onde vivia a família, meninos abandonados
na Casa da Roda da Irmandade da Misericórdia, incentivado pelo governo, que via nessas
escolas uma forma de livrar tais órfãos do abandono, dando-lhes uma oportunidade na vida,
coisa que, certamente, a Casa da Roda não lhes proporcionaria. Os meninos foram trazidos
do orfanato estranhamente com números, embora na fazenda eles fossem chamados pelos
nomes. O uso da palmatória, “abuso” explorado em caixa alta pelo título da reportagem, era
uma prática comum nas escolas da década de 30, mas é absolutamente mentirosa a afirmação
de maus tratos a esses meninos, como declarou à jornalista um dos oriundos da escola,
Argemiro Santos, que Alice Melo classifica de “escravo na fazenda”, apesar do mesmo declarar
textualmente não sentir-se escravizado. É claro que nos dias de hoje o uso de palmatória
seria condenado por qualquer um. Tais meninos aprenderam na fazenda todas as atividades
agropecuárias das quais se utilizaram como profissionais ao longo de suas vidas, na mesma
propriedade, como empregados normais. Convivi com Aloísio Silva, eixo da tese de doutorado
e da reportagem da revista, durante muitos anos na fazenda Santa Albertina e conheço sua
história muito bem. Aloísio, apesar de aluno da escola, praticamente foi criado na casa de
Otacílio Guerra, antigo funcionário da família, na gleba chamada Vira Machado. Destacou-se
na lida do campo como um exímio domador de cavalos, ofício aprendido na fazenda e não na
Casa da Roda, certamente. Estranhamente trabalhou a vida toda para a família que, segundo a
reportagem, supostamente o “escravizara”, ganhando salário como qualquer empregado.

Afirmar que os meninos da escola eram tratados de forma diferente dos demais filhos dos
empregados, é constatar o óbvio. Eles estavam na escola sob um contrato de tutelato e
qualquer coisa que acontecesse a eles seria responsabilidade de meu tio avô Osvaldo. Por
isso a presença de tutores citada por Aloísio Silva. A jornalista explora, de forma tendenciosa,
o fato de, ao término dos anos de estudos na escola, os alunos terem sido “liberados”, nas
palavras de Aloísio Silva, dando a entender que a partir daí houve a libertação dos escravos da
fazenda, quando tão somente haviam terminado seus estudos.

Com relação à fazenda Cruzeiro do Sul, a associação da marca da fazenda com a cruz gamada,
que tanto aterroriza as pessoas desavisadas nos dias de hoje, tinha, sim relação com o nazismo
tal como era conhecido no início da década de 30, quando Hitler ainda não havia perpetrado
as barbaridades conhecidas e execradas por todos. O partido nazista tinha simpatizantes
também no Brasil da época e meu tio avô Sergio era um deles. Ninguém se escandalizava,
nos idos de 30, com tais ideias. Tão logo se tomou conhecimento dos atos cometidos por
Hitler na Europa, ele os condenou e imediatamente mudou sua marca. Sergio era um homem
extremamente culto e educado e temos depoimentos de alguns ex-empregados ou parentes
deles que o conheceram e que se indignaram quando souberam de tais acusações. Estamos
gravando um vídeo com tais depoimentos. Uma dessas pessoas é a filha do administrador de
Sergio, Sr. Pedro Stedile, que era oleiro, e que fabricou os tais tijolos “aterrorizantes” com a
marca da fazenda. Ela, Sra. Aparecida Guido, conta com detalhes como era a vida na fazenda
e se revolta quando se fala em “núcleo nazista”. Cita as visitas que o poeta Guilherme de
Almeida fazia a meu tio avô, bem como o conhecido milionário carioca Jorginho Guinle, entre
outras figuras conhecidas da sociedade brasileira, todos amigos de Sergio.

O ramo da família de meu avô, Renato, realmente participava da AIB (Aliança Integralista
Brasileira). Pergunto: Por que o espanto? Era crime à época? Pessoas proeminentes da

sociedade de então, como o filósofo e jurista Miguel Reale e o bispo Don Helder Câmara, que
chegou a classificar as ações de assistência da AIB como “o maior programa assistencialista
cristão da sociedade brasileira”, eram simpatizantes do Integralismo. O próprio Getúlio
comungava dos ideais integralistas que tinham um viés nacionalista exacerbado, mas associar
essa participação no partido integralista a supostas práticas eugenistas de minha família vai
um longo percurso de má intenção.

Meu avô Renato, era um empresário renomado no Rio de Janeiro daquela época e tinha
negócios com diversos industriais alemães, como de resto também o governo de Getúlio
Vargas. Os negócios com a fábrica alemã Krupp AG eram uma necessidade do governo
brasileiro, dadas as qualidades do aço alemão, e meu avô possivelmente tenha intermediado
diversos negócios do governo com aquele fabricante. Nota-se na reportagem uma clara
intenção de associar os negócios de minha família com outras atividades dos Krupp. Diz o
texto: “coincidentemente, os Rocha Miranda tinham relações comerciais com essas empresas.”
E prossegue fazendo um link velado: “Alfried, em 1948, foi condenado por exploração de mão
de obra escrava na Alemanha”

É preciso que se tenha sempre em mente que os fatos citados na matéria se passaram no
início da década de 1930, quando o governo de Getulio Vargas mantinha relações estreitas
com os países europeus, principalmente a Alemanha, muito mais do que com os Estados
Unidos.

Três décadas depois, no início da década de 60, um procurador dos Krupp, Sr. Cristhian Stein,
contatou os herdeiros de meu tio avô, Otavio, falecido então há mais de vinte anos, querendo
comprar para o Sr. Arndt Krupp Von Bohlen, sua fazenda no interior de São Paulo, o que
ocorreu, não havendo, além disso, nenhuma ligação de nossa família com a família Krupp,
como quis a jornalista associar em sua matéria.

Renato Rocha Miranda Filho, sobrinho de Osvaldo e Sérgio, recebeu como herança as terras
de seus tios e deu continuidade ao belo trabalho nas fazendas, tornando-se um criador de
destaque de gado da raça Nelore, como atesta o amigo Raulf Nassar no site de sua fazenda
Guatambu (www.guatambu.com.br), comprada de meu tio na década de 1960.

Renato, em 1944 foi para os Estados Unidos fazer um curso de pilotagem militar em aviões
Catalina PBY5A na base aérea de Waco, no Texas, como atesta o diploma que hoje tenho
em meu escritório. Cabe então perguntar: Que família nazista permitiria que um de seus
membros seguisse carreira militar nos EUA para combater submarinos alemães na costa
brasileira? Que homem de formação racista deixaria em testamento mais da metade de seu
patrimônio para o filho de um empregado seu, seu afilhado Manoel das Graças Araujo, cujos
filhos, hoje proprietários de parte desmembrada da fazenda Santa Albertina, que hoje nos
pertence, permitiram sem contestação a construção dessa teoria abominável? A realidade
está, literalmente, nas ruas de Campina do Monte Alegre, onde a avenida principal tem o
nome de nossa família e a escola estadual chama-se RENATO ROCHA MIRANDA, sem jamais
nenhum membro da família ter feito parte da política local.

Pelo carinho e reverência que a cidade dedica à nossa família, quando de sua morte em 1997,
seus sobrinhos, eu e minha irmã, Angela, consentimos em efetuar o sepultamento de nosso
tio no pequeno cemitério local, atendendo ao pedido de diversos amigos enlutados que ele
deixou, e por sabermos que estaria melhor perto das terras que tanto amou.

Após diversas idas e vindas com a jornalista Alice Melo e a editora da revista, Viviani
Fernandes de Lima, não conseguimos marcar uma reunião para que tais argumentos fossem
expostos, só o fazendo, graças à interferência pessoal dos Drs. Jean Louis Lacerda Soares e
Sergio Chermont de Brito, respectivamente presidente e diretor da SABIN, (Sociedade de
Amigos da Biblioteca Nacional), responsável pela edição da revista, que reconheceram o
direito da família se defender, colocando-a à disposição para este direito de resposta, que se
contrapõem à citada reportagem e solicita a inserção em seu site na internet, do vídeo que
está sendo elaborado com os depoimentos dos contemporâneos de meus familiares, que nos
procuraram de livre e espontânea vontade, querendo dar seus testemunhos.

Acreditamos que, com isso, a Revista de História da Biblioteca Nacional, preservará sua boa
reputação, superando um mau momento em sua trajetória.

Mauricio Vidal Rocha Miranda

LOGOMARCA DA ANGLO-MEXICAN PETROLEUM

LOGOMARCA DA ANGLO-MEXICAN PETROLEUM

Esse foi o nome original da SHELL quando iniciou suas atividades no Brasil. Sua logomarca se assemelhava a uma cruz suástica.

Esse foi o nome original da SHELL quando iniciou suas atividades no Brasil. Sua logomarca se assemelhava a uma cruz suástica.

O uso desse símbolo era comum na década de 1920 como decoração, (vide comentário do historiador José Roitberg, publicado nesse blog) até meados de 1930 quando Hitler a adotou como símbolo de seu partido, sendo então eliminado. A empresa, em seu site, no histórico de sua logomarca, nem cita tal fato. Certamente, ao tomar conhecimento disso, a Revista de História da Biblioteca Nacional em sua busca por tiragem a qualquer custo, fará uma matéria sobre a influência nazista numa empresa holandesa que se instalou no Brasil em 1913, antevendo a ascensão do partido vinte anos depois.

9 ideias sobre “Carta à Revista de História da Biblioteca Nacional

  1. José Roitberg

    Caros Rocha Miranda, sou jornalista e historiador centrado no nazismo e Holocausto e também na história da publicidade. Li a revista história de janeiro e ao pegar a de março, vi a publicação de sua carta, ainda sem direito de resposta, e entrei neste blog para conferir o que os srs apresentam. Temos visto nos últimos anos universidades públicas aprovarem teses abomináveis, como a USP, que recentemente concedeu grau 10 na graduação a uma tese que defendia o direito do revisionismo mentiroso do Holocausto, o que é um processo completamente diferente do revisionismo histórico lícito baseado no surgimento de novos documentos encontrados e na fala de testemunhas, antes caladas, que posteriormente decidiram se pronunciar. A tese em questão no caso aqui colocado parece querer provar o racismo das elites dominantes e não parece querer descobrir se havia ou não. O texto que os senhores colocaram, abordando a publicidade dos anos trinta, além dos adjetivos corretos que os senhores atribuíram, acrescento não ter embasamento histórico ou social algum, não passando de achismo.

    Qual de nós não se deliciou com leite condensado direto da lata e em pudins? Qual de nós não teve administrado por nossas mães os remédios permitidos em cada época? Qual de nós não conviveu e convive até hoje com inseticidas domésticos? Estipular como verdade em tese e ter aceito por professor orientador e bancada que as fotos das crianças utilizadas na publicidade de alimentos e remédios eram à revelia e violavam os direitos destas crianças não é risível: é chorável. É uma afirmação ignorante, pois ignora todo o processo publicitário e nem ao menos percebe as fotos posadas em estúdios e com cenários produzidos para os anúncios.

    Um historiador não pode enxergar uma sociedade do passado baseado nas leis da sociedade atual. Se fizer isso, jamais encontrará a verdade, mas apenas a sua própria verdade que deseja impor. Ao longo de minha vida tenho visto muitos historiadores que fecham o foco sobre um ponto, colocam antolhos e nada mais enxergam para os lados. Basear a tese sobre crianças na publicidade brasileira a partir de uma só publicação A Revista da Semana, que era de fato uma publicação da elite, mas que sempre dedicava suas páginas ao povão de fato é ter optado por não enxergar a publicidade para crianças e com crianças no Brasil com as do Almanaque do Tico-Tico. A primeira publicação de alimentos para crianças é uma quarta capa dos chocolates Lacta em 1917. O Biotônico Fontoura (tem álcool mas não é bebida alcoólica) já anunciava diretamente para crianças em 1918 e o Leite Condensado Moça, já em 1919. Portanto, associar tais produtos com exploração infantil dos anos trinta, é no mínimo falta de pesquisa.

    Por este material sobre a tese que os srs. divulgaram, eu sinto que o trabalho, como um todo, está comprometido. Tudo que gira em torno do nazismo é polêmico e sempre vai ser. Como historiador do período nazista, formado na UFRJ e no Yad Vashem (Autoridade Nacional sobre o Holocausto) em Jerusalém sei muito bem o que é suástica nazista e o que não é. Nos anos 1920 antes mesmo do partido nazista se consolidar como força eleitoral na Alemanha as suásticas eram amplamente utilizadas em decoração dos ambientes mais sofisticados e na publicidade geral. Na decoração temos uma predomínio das chamadas “gregas” ou “suásticas gregas.” As dos tijolos da fazendo não são deste tipo.

    Tanto tese, quanto matéria publicada, quanto os srs, por enquanto ainda não conseguiram determinar ou justificar a questão dos tijolos com suásticas nas construções ou parte delas, (realmente não houve informação pública suficiente sobre esta questão). Onde foram feitos? Teriam sido feitos exclusivamente dentro da fazenda ou para ela? Quando foram colocados? Há outras construções na região com estes tijolos? Existe uma lembrança familiar associada a eles, principalmente no período do nazismo e na Segunda Guerra Mundial? E uma última questão que pode parecer estranha mas pode explicar alguma coisa: como a fazenda era muito importante na região, por acaso havia um posto Shell nela (gasolina, óleo, querosene etc)?

    Grato por seu tempo,

    José Roitberg – jornalista e historiador – roitberg@gmail.com

    Resposta
  2. rochamiranda1930 Autor do post

    Caro professor.
    Obrigado por seu comentário. É realmente pertinente. O autor da tese decidiu que nossa família serviria de escada para justificar seu sensacionalismo e, conforme dito nas cartas publicadas no blog, eliminou a defesa possível que certamente faríamos se tivesse nos procurado.
    O senhor questiona, em seu comentário, a origem dos tijolos com a marca da fazenda (cruz gamada). Eles foram feitos pelo administrador de meu tio avô, Sergio, que era oleiro, e que foram utilizados somente na fazenda Cruzeiro do Sul. Meu outro tio Osvaldo, proprietário da fazenda Santa Albertina, tinha também uma olaria na propriedade e fabricou telhas, que existem até hoje com seu nome em algumas construções da cidade de Campina do Monte Alegre. Naquela época, naquela região, se a propriedade não tivesse sua própria olaria teria dificuldade de encontrar esse material para suas edificações.
    Quanto ao seu questionamento sobre a existência de um posto Shell na fazenda, lembro-me que na Santa Albertina havia um comodato da ESSO onde as máquinas eram abastecidas. Na fazenda Cruzeiro do Sul isso não havia, pois o combustível para as máquinas era trazido e armazenado em tambores de 200 litros.
    Se o senhor não teve a oportunidade de assistir o vídeo que fizemos, e que está no blog, sugiro que o faça, pois ele dá uma boa ideia da má fé desse, dito, historiador e sua orientadora.
    Mais uma vez obrigado por seu comentário que estará publicado no blog.
    Saudações,
    Mauricio Rocha Miranda

    Resposta
    1. rochamiranda1930 Autor do post

      Caro Maurício
      Obrigado pelas explicações. Esta esclarecido então. Quanto ao caso da Shell, o sr verá que eu não poderia ter adiantado antes de sua resposta e constatarmos que a Esso (rival americana) é que estava na região. Vou explicar

      A Shell, que é holandesa entrou no Brasil com uma marca chamada Anglo-Mexicam Petroleum. Não se sabe o motivo disto. A marca da AMP era a suástica. Seus óleos e querose se chamavam “Swastika”, sua gasolina Energina possuia a suástica inscrita no círculo como marca não registrada. No Rio de Janeiro e em SP havia postos de gasolina (daqueles com as bombas ainda com parte alta em vidro e globos luminosos) com a suástica, que estava também nos uniformes, nos brindes e calendários e até mesmo como nome dois cavalos de corrida nos Jockeys do RJ e SP. Isso começa alguns anos antes do partido nazista cosneguir seu primeiro bom desempenho eleitoral e termina em novembro de 1933, quando as leis contra judeus na Alemanha eram nota diária em quase todos os jornais da capital federal, Rio de Janeiro. A Shell troca de marca, adotando seu nome verdadeiro, varre a suástica e traz sua tradicional concha, pagando até por anúncios mostrando à troca a população. Caso houvesse Shell na área, tudo estaria explicado de forma simples.
      Mas ainda prefiro a “moda” das suásticas sem conotação nazista daquele período.

      Grato.
      José Roitberg – jornalista e historiador

      Resposta
  3. Edson Cucharev

    Excelente resposta, parabéns!
    Sugiro contatar o jornalista Douglas Nascimento do excelente São Paulo Antiga, hoje é o site de história de maior audiência no Brasil e acredito que ele poderia publicar algo sobre isso tirando este mito. Ele frequentemente aborda o tema e é estudioso do caso… hoje mesmo cheguei aqui após ler uma matéria sobre a suástica que está lá. Abraços!

    Resposta
    1. José Roitberg

      Neste meio tempo, fiz uma pesquisa especificamente sobre tijolos com suásticas. Além disso, numa nova vestimenta para a matéria sobre a Fazenda Cruzeiro, aparece uma foto do time de futebol dos garotos, com uma bandeira com uma enorme suástica completamente indiana, com pontas curvadas e estrelas, não tendo nada a ver com suásticas nazistas que sempre foram abertamente óbvias. Mas no caso dos tijolos, o que descobri é que o Brasil importava tijolos inglese e a Índia fazia parte do Império Britânico. Foram fabricados tijolos com suásticas por uma empresa americana e por uma inglesa. Mas na Índia, nunca pararam de fabricar, principalmente na cidade de Varanasi. Reuni fotos do tijolo da fazenda Cruzeiro e fotos dos tijolos antigos e atuais, fabricados em Varanasi e pode-se ver que são idênticos, um deles e até praticamente igual. Vc pode vê-los aqui – http://www.flickr.com/photos/roitberg/sets/72157638454146543/

      Resposta
  4. Martin Francisco felicio

    eu naci na fazenda cruzeiro do sul há 54 anos, fui criado nela e nunca vi qualquer tipo de ação nazista ou qualquer fato ligado ao nazismo, esse tal de senhor tatão que gerou tudo isso, é um agregado a familia de Manoel das Graças Araujo, nunca havia sequer posto os pés lá, até pouco tempo atraz, não sabe nada da história da fazenda,nem de seus moradores antigos, eu acredito que deveria ser feito uma nova reportagem, buscando pessoas que realmente viveram lá, pois nos arredores ainda vivem muitos

    Resposta
    1. rochamiranda1930 Autor do post

      Caro Martin
      Obrigado pelo seu depoimento. A estória desse Tatão é alguma coisa asquerosa. Ele vive às custas de uma das viúvas do Manoel Araújo, o Manezinho, que recebeu a Cruzeiro do Sul de meu tio Renato, enquanto ainda em vida. Nem por isso essa mulher defendeu a honra de quem beneficiou seus filhos. É gente desqualificada mesmo.

      Resposta
    2. rochamiranda1930 Autor do post

      Caro Martin.
      Muito obrigado pelo seu depoimento. Assim como você, diversas pessoas que conviveram com meus tios avós ficaram revoltadas e fizeram questão de dar seu depoimento num vídeo que fizemos e que pode ser visto pelo link :https://www.youtube.com/watch?v=3su2rgDWLZA
      Tatão, esse marginal, é um sujeito que se aproveitou da viúva do Manoel cujos filhos não honraram o presente que ganharam de meu tio Renato. Lamentável.

      Resposta
  5. Orlando Antunes

    A bem da verdade as terras ficavam no município de Buri beirando o Rio Paranapanema que faz divisa com o município e a cidade de C.M. Alegre. Conheci o seu Renato (Renatinho como era tratado pelos amigos) uma pessoa simples de tudo, anda só a cavalo, um Filantropo além do normal. não ostentava sua riqueza ou sua origem.
    Quando do seu falecimento a comunidade toda sentiu a perda, de seu ente querido. Um grande Homem.

    Resposta

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